30/10/2019 - 16h53m

MEIO AMBIENTE

Oficina do Wildfire Brasil 2019 apresenta resultados obtidos através do Manejo Integrado do Fogo

Robson Corrêa

A cidade de Campo Grande (MS) sedia a 7° Conferência Internacional Sobre Incêndios Florestais - Wildfire Brasil 2019. Ao longo do evento diversas oficinas vão acontecendo nas dependências do Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo. Os participantes se reúnem para apresentar os resultados dos trabalhos desenvolvidos em suas localidades desde a última conferência, que aconteceu em 2015. Nesta terça feira, 29, segundo dia do encontro, aproximadamente 100 pessoas se reuniram no auditório Tertuliano Amarilha para assistir a palestra sobre Gestão e Tradição em Manejo Integrado do Fogo (MIF).

A analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Ana Carolina Sena Barradas, fez um contraponto apresentando várias pesquisas que afirmam a importância do fogo para o Cerrado e a necessidade da implantação da política do fogo zero, e logo em seguida expôs os resultados das mudanças na quantidade de focos de queimadas após a implementação do MIF na região da Serra Geral, localizada no Tocantins, que possui savanas tropicais com características comuns de gramíneas e apresentavam altos índices de focos de calor. Com o passar dos anos houve o processo de mudança desse paradigma e a anuência de outras opções que auxiliaram no rompimento das barreiras institucionais, facilitando a implementação do MIF.

Segundo a palestrante, “abordar o Manejo Integrado do Fogo envolve a comunidade e o poder público principalmente nas articulações das variadas estratégias. Essa implementação gera um ganho, principalmente em valores que seriam disponibilizados para o combate e acabam sendo economizados, além do desgaste dos brigadistas que são as frentes que vão para o combate direto das queimadas”. Ana Carolina completou ainda que “os resultados são satisfatórios quando se observa o mapa da região nos anos 2013 e 2014, antes da adesão da técnica, e o mais recente nos anos 2017 e 2018 após o uso do MIF”.

A redução do tamanho dos grandes incêndios, a mudança da sazonalidade do fogo e o aumento da participação social, principalmente dos povos tradicionais, foram os benefícios que o MIF trouxe para região, que possui mais de mil nascentes costumeiramente utilizadas por essas populações. O indígena Rubens Aquino Ferraz, brigadista na terra indígena Kadiweu/Aldeia Alves de Barros Brasil, ressaltou que “após a implantação da queima prescrita as comunidades indígenas estão aceitando cada vez mais essa modalidade e buscam entender como é o funcionamento da técnica. Quando os outros povos procuram informações sobre o MIF, entendem que tem um pessoal empenhado em promover o bem de todos e proteger o nosso ambiente”.

No final da oficina foi destinado um espaço aos participantes para colocarem suas ideias e partilharem as experiências alcançadas através da implementação do MIF em suas regiões. Muitas dúvidas também foram sanadas pela palestrante em relação à forma de iniciar os trabalhos do MIF, principalmente sobre as estratégias que devem ser adotadas no processo de mudança.

Tocantins

O Tocantins enviou uma delegação de servidores da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Defesa Civil e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para representar o estado no encontro. Ao todo 46 técnicos ligados à temáticas ambientais estão conhecendo e aprimorando os métodos de combate e prevenção a incêndios que foram aplicados em outros estados e países.

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